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segunda-feira, 14 de março de 2022

Dolar sobe e Bolsa cai com Brasil na contramão de otimismo sobre Ucrânia

 

por Clayton Castelani | Folhapress

Dólar sobe e Bolsa cai com Brasil na contramão de otimismo sobre Ucrânia
Foto: Reprodução / Arquivo Agência Brasil


Os mercados de câmbio, ações e de juros do Brasil traçavam um cenário pessimista para os negócios domésticos no início desta segunda-feira (14), que rumavam na contramão do clima esperançoso que derrubava a cotação do petróleo e impulsionava as bolsas da Europa.
 

Expectativas sobre avanços nos diálogos entre Rússia e Ucrânia eram responsáveis pela consistente queda de 6,81% do barril do petróleo Brent, cotado a US$ 105,00 (R$ 516,53) às 13h02


No Brasil, porém, a queda da commodity afundava as ações da Petrobras e de outras petrolíferas. Para piorar o cenário do setor de materiais básicos, surtos de Covid-19 da China prejudicaram as negociações de minério de ferro, ajudando a derrubar as ações da Vale.
 

Com as duas principais empresas da Bolsa no vermelho, o Ibovespa cedia 1,20%, a 110.362 pontos. O dólar subia 0,62%, a R$ 5,0860. E a culpa da alta no câmbio e da queda da Bolsa não é só das commodities.
 

Nesta semana, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) deverá tirar sua taxa de juros de referência do zero, medida que pode levar estrangeiros a retirar dólares de investimentos arriscados em países emergentes e levá-los para a segurança dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
 

Em Nova York, os mercado oscilava devido a uma combinação de expectativas sobre negociações na Ucrânia e alta dos juros do Fed. Os índices Dow Jones e S&P 500 subiam 0,62% e 0,11%, respectivamente. A Nasdaq, onde estão listadas empresas mais vulneráveis à alta dos juros, caía 1,03%, após uma abertura em alta.
 

Na Europa, a Bolsa de Londres avançava 0,63%. Paris e Frankfurt saltavam 2,05% e 2,47%, nessa ordem.
 

É na flutuação do valor do petróleo, porém, que está a explicação mais complexa para o fato de que o mercado financeiro brasileiro esteja desandando neste início de semana. Isso tem tudo a ver com a forte influência política sobre o setor petrolífero no Brasil.
 

Especificamente nesta segunda, a redução da expectativa de ganhos de curto prazo com ações de petroleiras era provocada pela desvalorização pontual da matéria-prima.
 

Mas, considerando as altas do petróleo desde o início da guerra, a pressão inflacionária gerada pela disparada da commodity é o que vem levantando temores sobre o Brasil. No centro da questão, está a preocupação de investidores de que o governo possa interferir na política de preços da Petrobras, prejudicando assim os resultados da companhia e a saúde financeira do país.
 

Não é só a possibilidade de intervenção do governo nos preços dos combustíveis que preocupa o mercado. Renúncias na arrecadação para tentar reduzir os efeitos do mega-aumento dos combustíveis chamam a atenção de investidores para o risco fiscal.
 

É assim que analistas denominam o risco de que o governo não consiga cumprir o Orçamento, seja devido ao crescimento de gastos ou pela redução da receita. Essa ameaça tradicionalmente já afeta o mercado em anos eleitorais, como é o caso de 2022.
 

Permitir que os preços subam sem contramedidas também cria dificuldades no dia a dia da população que vão além da inflação.
 

Desde o anúncio do mega-aumento dos combustíveis, na última quinta (10), o mercado de juros futuros de curto prazo galopou. As taxas DI para 2023, negociadas entre bancos e que servem de referência para operações de crédito em geral, saltaram de 12,90% para 13,18% ao ano, até esta segunda.
 

Na Ásia, as bolsas fecharam mistas. Tóquio subiu 0,58%. Hong Kong derreteu 4,97%. Na China continental, o principal índice dos mercados de Xangai e Shenzhen afundou 3,06%.
 

"Os mercados da China recuaram com nova onda do Covid e a implementação de tolerância zero com novo decreto de lockdown, incluindo o centro tecnológico de Shenzhen", disseram analistas da Ativa Investimento em boletim aos investidores nesta manhã.

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